quinta-feira, setembro 14, 2017

O QUE ME ENSINOU O AMOR




O amor me ensinou a não amar
A desamar e aprender
A não tolerar o amor
E esquecendo a lição
Outro amor veio e de novo
Ensinando-me a descrer no amor
Ignorando-o,  amei de novo
E novamente revivi o malamor

O amor me mostrou o seu contrário
Toda vez que o vivi de peito aberto
No fim cabendo dentro do buraco
Que se abria no vão
Entre o estômago e o coração
Ali pequena, quieta, quase insignificante
Respirando o silêncio
Torcendo para que outro amor não viesse
Me ensinar a não amar...


segunda-feira, agosto 14, 2017

DO SANGUE QUE SE ESVAI



SANGUE ESTANCADO
UMA NOITE INTEIRA E A MADRUGADA
EM CONTORCIONISMOS
GEMIDOS
URROS
COM A DOR DO CANSAÇO
DORME
PELA MANHÃ
A CORDA
NO PESCOÇO
AMARRANDO A VOZ
A RESPIRAÇÃO
ESPIRRA
E O SANGUE JORRA
ESCORRE FORTE
MARCA A PELE CLARA
COLORE O CHÃO
ESPANTO
ASSOMBRO
MEDO
VOCÊ AGE
E PENSA
NA FILHA QUE AINDA NÃO SANGROU
NO MAR DE SANGUE QUE ELA VERÁ
É NORMAL, MINHA FILHA
É NORMAL
VOCÊ DIZ SABENDO QUE NÃO É...


O QUE SERÁ?

SINA DE MULHER




Tento não sofrer com a morte que nasce em mim
Com o renascimento que me pede a despedida
Dessa que fui e não mais serei

Ainda tanto esperei de mim
Sem o compromisso do tempo de me ser
Mas esperei...
E morro aos poucos nisso de ceder
Ao tempo que me ultrapassa
Que me mostra minhas fraquezas
Que me lembra da não-juventude
Agora vivida por dentro

Passou o momento dos frutos
Passou o momento dos sonhos
No passado ficaram eu antes e a que já não sou
Agora morro aos poucos no sangue que verto
Renasço não a menina, não a moça
Não a flor desabrochando para a colheita

Não há mais filhos, não há mais promessas
As antigas vontades morrem com a que fui
Só há o sangue saindo e diante de mim
Anunciando a que fica e onde estou
Vivenciando a sina de toda mulher.